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Tive a sorte de crescer em uma casa cheia de livros. De todos os temas, autores, de todos os tamanhos. Livros novos e velhos. Livros adultos e infantis. Romances e enciclopédias.
Que eu me lembre, nunca ninguém me incentivou o hábito da leitura, e nem foi preciso. Foi paixão a primeira vista. Eu gostava de folhear os livros, mesmo não sabendo direito o significado de muitas passagens. Gostava de sentir o cheiro, da textura das páginas, das capas duras com letras douradas.
Desde que aprendi a ler comecei, literalmente a ler. Lia tudo que me caía nas mãos.
Comecei pelos clássicos contos infantis. Contos de Andersen, dos irmãos Grimm, Coloddi, Perrault.
À luz da psicologia moderna, os contos infantis desses autores eram cruéis!
Quem leu A Pequena Sereia sabe muito bem que o lindo filme de Walt Disney está bem longe da realidade do livro. No final, depois de todos os sacrifícios para ficar com seu amado e obter uma alma imortal, a sereiazinha morre e vira espuma. E ainda tem que ficar vagando entre as filhas do ar até o dia em que conseguirá sua alma imortal.
E o soldadinho de chumbo? Incinerado junto da sua amada bailarina no fogo da lareira...
A história da pequena vendedora de fósforos, que morre de frio no meio da neve...
Também gostava muito dos contos de Charles Dickens e Mark Twain.
Só não consegui gostar de Monteiro Lobato, eu confesso! Juro que tentei, pois não desisto fácil de livro nenhum. Mas não deu.
Gostava também de enciclopédias. O Thesouro da Juventude me ensinou lições que guardo até hoje. Mitologia grega, costumes de outros países, história, geografia... Perdi a conta de quantas vezes eu li e reli aqueles 12 "tomos" (volumes, como eram chamados).
O Mundo da Criança também tinha contos maravilhosos da literatura mundial.
Aos 12 anos li pela primeira vez Edgard Allan Poe, e fiquei fascinada por seu estilo mórbido.
Muitos dos livros que os professores mandavam a gente ler também ficaram na minha memória. As obras de Eça de Queiroz, Aloisio Azevedo. Só Guimarães Rosa é que não teve jeito de eu gostar. Não deu "liga".
Sou uma leitora compulsiva até hoje. Leio de tudo, não tenho critérios. Encaro numa boa livros de 800 páginas, e se for bom eu fico com pena quando vai chegando ao final.
Gostava muito de ler fotonovelas (falei que não tenho critério...). Pena que não fazem mais. Tenho saudades dos almanaques Grande Hotel.
Revistas em quadrinhos também. Bolinha, Luluzinha, Riquinho, Tio Patinhas.
Asterix eu adoro até hoje, e foi a única coisa que eu consegui que meu filho lesse e gostasse.
Tenho esse desgosto... meu filho não gosta de ler. Gostaria muito que ele tivesse herdado esse me hábito. Mas com o advento da internet eu acho que a leitura ficou obsoleta para a geração mais jovem.
Pelo menos meu filho herdou de mim a sede de saber, e substituiu os livros por documentários dos canais a cabo, como Discovery e History Channel.
Já é alguma coisa. Mas para mim nada substitui o prazer de um bom livro. Aquela coisa de sentir, tocar, cheirar, o tête a tête e o deixar fluir a imaginação.
criado por lucy in the sky
14:26:23