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Não tenho escrito muito ultimamente. É que além da falta de assunto estou estudando para ver se viro funcionária pública.
Aqui nesse país de merda, depois de certa idade ninguém mais te quer, e como concurso público não tem limite de idade eu vou tentando. Não tem limite de idade, mas tem um monte de mutretas e apadrinhamentos, que eu sei.
Mas como a esperança é a última que morre, e persistência é uma das minhas virtudes (ou será teimosia?), eu vou tentando mesmo assim.
Já estou com vontade de jogar Freud pela janela, de tanto que já li. No concurso que fiz mês passado só cairam três perguntinhas super básicas sobre as teorias de Freud, que qualquer estudante de primeiro período saberia responder. E eu com um "cabedal" de informações sobre o dito cujo.
Ah, passei nesse concurso sim. Passei, mas não levei, pois só tinham nove vagas e a minha classificação ficou muito além.
Esse mês tem mais dois concursos. Se minha bisavó ainda fosse viva eu pediria a ela para acender uma vela a Nossa Senhora para ela me iluminar na hora da prova. Geralmente dava certo nas provas do colégio. E quando eu chegava em casa ela fazia questão de me mostrar a vela acesa no altar para eu ver que ela rezou mesmo.
Já entreguei para Deus. Que Ele faça o que for melhor para mim, porque a minha parte estou fazendo da melhor maneira, ou da maneira que eu posso.
Agora com licença que eu tenho que voltar para as minhas neuroses (affff....)
Tive a sorte de crescer em uma casa cheia de livros. De todos os temas, autores, de todos os tamanhos. Livros novos e velhos. Livros adultos e infantis. Romances e enciclopédias.
Que eu me lembre, nunca ninguém me incentivou o hábito da leitura, e nem foi preciso. Foi paixão a primeira vista. Eu gostava de folhear os livros, mesmo não sabendo direito o significado de muitas passagens. Gostava de sentir o cheiro, da textura das páginas, das capas duras com letras douradas.
Desde que aprendi a ler comecei, literalmente a ler. Lia tudo que me caía nas mãos.
Comecei pelos clássicos contos infantis. Contos de Andersen, dos irmãos Grimm, Coloddi, Perrault.
À luz da psicologia moderna, os contos infantis desses autores eram cruéis!
Quem leu A Pequena Sereia sabe muito bem que o lindo filme de Walt Disney está bem longe da realidade do livro. No final, depois de todos os sacrifícios para ficar com seu amado e obter uma alma imortal, a sereiazinha morre e vira espuma. E ainda tem que ficar vagando entre as filhas do ar até o dia em que conseguirá sua alma imortal.
E o soldadinho de chumbo? Incinerado junto da sua amada bailarina no fogo da lareira...
A história da pequena vendedora de fósforos, que morre de frio no meio da neve...
Também gostava muito dos contos de Charles Dickens e Mark Twain.
Só não consegui gostar de Monteiro Lobato, eu confesso! Juro que tentei, pois não desisto fácil de livro nenhum. Mas não deu.
Gostava também de enciclopédias. O Thesouro da Juventude me ensinou lições que guardo até hoje. Mitologia grega, costumes de outros países, história, geografia... Perdi a conta de quantas vezes eu li e reli aqueles 12 "tomos" (volumes, como eram chamados).
O Mundo da Criança também tinha contos maravilhosos da literatura mundial.
Aos 12 anos li pela primeira vez Edgard Allan Poe, e fiquei fascinada por seu estilo mórbido.
Muitos dos livros que os professores mandavam a gente ler também ficaram na minha memória. As obras de Eça de Queiroz, Aloisio Azevedo. Só Guimarães Rosa é que não teve jeito de eu gostar. Não deu "liga".
Sou uma leitora compulsiva até hoje. Leio de tudo, não tenho critérios. Encaro numa boa livros de 800 páginas, e se for bom eu fico com pena quando vai chegando ao final.
Gostava muito de ler fotonovelas (falei que não tenho critério...). Pena que não fazem mais. Tenho saudades dos almanaques Grande Hotel.
Revistas em quadrinhos também. Bolinha, Luluzinha, Riquinho, Tio Patinhas.
Asterix eu adoro até hoje, e foi a única coisa que eu consegui que meu filho lesse e gostasse.
Tenho esse desgosto... meu filho não gosta de ler. Gostaria muito que ele tivesse herdado esse me hábito. Mas com o advento da internet eu acho que a leitura ficou obsoleta para a geração mais jovem.
Pelo menos meu filho herdou de mim a sede de saber, e substituiu os livros por documentários dos canais a cabo, como Discovery e History Channel.
Já é alguma coisa. Mas para mim nada substitui o prazer de um bom livro. Aquela coisa de sentir, tocar, cheirar, o tête a tête e o deixar fluir a imaginação.
Estava lendo alguns artigos sobre fidelidade entre casais, assunto bem gasto e meio sem sentido, como discutir o sexo dos anjos. Porém, me deparei com uma nova modalidade, ou uma nova maneira de justificar as puladas de cerca que porventura venham a ocorrer. Agora a moda é dizer que a gente não deve ser FIEL, deve ser LEAL...
Um jeito Manoel Carlos de ser, eu creio, pois esse novo conceito surgiu em uma novela dele, através de um de seus personagens (se não me engano, se não foi aí, desculpem...). Só sei que as pessoas a-do-ra-ram o novo conceito e estão usando a rodo.
Ser leal significa mais ou menos isso: você é casado, está ao lado do seu cônjuge para o que ele precisar, respeita-o, é companheiro, mas.... se pintar uma transa extra-matrimônio você não dispensa. Afinal, está cumprindo com seus deveres de companheiro e co-provedor.
Eu penso o seguinte: você quer ser leal? Então tá. Diga ao seu cônjuge diretamente: hoje eu vou chegar mais tarde porque vou me encontrar com meu (minha) "ficante" (termo largamente utilizado nowadays). Isso para mim é lealdade, o resto é sem-vergonhice pura!
Quer ser mais leal ainda? Diga: o fato de eu ter amantes não significa que eu não ame mais você, nem que você não pode contar comigo para o que der e vier. E eu compreenderei se você também tiver seus amantes, desde que eu possa contar com você incondicionalmente.
Será que alguém faz isso? É ruim, hein?
Podem me chamar de conservadora, de antiquada, de "careta" (ai, que termo mais antigo!).
Antes de casar, rodei muito... parodiando... rodei,dei, dei muito! Não me arrependo! Mas do momento em que a gente dá o famoso "sim" na frente do padre, ou do juiz, ou um de frente para o outro, o que a gente quer dizer é o seguinte: eu te aceito como meu (minha) companheiro(a) para o resto da vida. Eu sei que no decorrer dos anos vou encontrar homens (mulheres) mais bonitos(as), mais inteligentes, mais bem-sucedidos(as) do que você. Mas a minha proposta é continuar sendo fiel a você pela vida afora.
Antes de ser leal a quem quer que seja, eu acho que temos que ser leal a nós mesmos. Casamento não é só sexo, nem é brincar de casinha, nem é só reprodução. Essas coisas podemos fazer sem casar. Casamento é pacto, é contrato. Quem não está disposto a seguir as regras, que seja leal a si mesmo e não se comprometa. Ou se já se comprometeu e viu que não segura a onda, desfaça o compromisso antes de ser desleal a outra pessoa.
E deixe esse conceito de ser fiel ou ser leal para as novelas do Manoel Carlos...
Amigo é coisa pra se guardar... quem não se lembra da Canção da América?
Tenho amigos muito antigos, de 30 anos ou mais, dos tempos do colégio. Também tenho amigos mais recentes, de 20 anos somente...rsrsrsrsrs.... E tinha amigos que não eram tããão amigos assim.
Uma das coisas boas da maturidade é que a gente fica mais exigente, mais seletiva mesmo. Nada como o tempo para provar quem é seu amigo de verdade.
Sou por natureza muito tolerante em relação às pessoas. Procuro desculpas para seus defeitos, boto panos quentes... mas na hora de riscar a dita cuja do meu caderninho, não tem volta!
Tive uma "amiga" na adolescência que tinha inveja de mim. Não que eu seja uma pessoa invejável, sou comum. Mas ela fazia tudo para me desdenhar. E eu, por carência, ou por temperamento, fingia que não percebia. Até eu dar por mim e descobrir o jogo dela levou alguns anos. Risquei do meu caderno do dia para a noite.
Também tive uma "amiga" que durou anos. Só eu para aturar. As outras amizades dela passavam de anjos a demônios num piscar de olhos. Sabe aquela pessoas que te conhece hoje e você passa a ser seu mais novo amigo de infância? Pois é... depois, se você fala ou faz alguma coisa que desagrada a ela, você vira o cão chupando manga!
Essa criatura vivia apregoando que engolia um elefante, mas engasgava com uma formiguinha. A maturidade me ensinou que elefantes não são deglutíveis, mas formiguinhas sim. E que ninguém é perfeito, nem veio ao mundo para falar só o que a gente quer ouvir.
Ela engasgou com uma formiguinha minha. Um prato de microondas que eu havia emprestado a ela enquanto ela procurava um novo para substtituir o que tinha quebrado. Ela assumiu que eu tinha dado. Quando eu pedi de volta, ficou ofendidíssima! Passei a régua também! A vida já é muito complicada para a gente ter que aturar esses encostos!
Tive um outro "amigo" que também me invejava veladamente (triste sina a minha!). Este tinha mania de pegar coisas emprestadas e não devolver. Eu tinha um compacto (filhote de LP) do The Mammas and the Pappas que eu adorava e não emprestava para ninguém. Um dia ele levou um LP meu emprestado e escondeu o compacto dentro. Eu sabia que tinha sido ele, e ainda perguntei se "por acaso" ele não tinha levado o meu compacto. Ele jurou que não. Um dia eu estava na casa dele e olhando o armário de discos vi lá dentro meu compacto. Não conversei. Escondi-o dentro de um LP que eu estava pegando de volta, levei para casa e não falei nada. Ele também não teve cara para comentar.
Em compensação, tenho amigos que mesmo estando longe eu sei que são meus amigos verdadeiros. Que não tem inveja, que não me surrupiam coisas, que não engasgam com formiguinhas...
Poucos, é verdade, mas amigos sinceros. Ter amigos é um tesouro...
Não tenho aparecido muito por aqui...
Nem é tanto por falta de tempo. Meu tempo realmente ficou mais curto, pois eu estou estudando muito e correndo atrás do prejuizo para retomar minha antiga carreira. Mas o problema é falta de assunto mesmo.
Ando meio deprê, meio desiludida com as coisas, com a falta de grana e com o país que nós vivemos. País da impunidade...
Fiquei chocada com a morte do menino João, arrastado pelos bandidos que roubaram o carro da mãe dele. Fico deprimida só em pensar o que essa mãe está sentindo, e que esse menino poderia ser meu filho. E fico mais deprimida ainda ao perceber que daqui a uns poucos meses ninguém vai se lembrar do acontecido. Em pouco tempo os bandidos vão ganhar liberdade e vão estar nas ruas, livres para agir.
Eu peço a Deus (se é que se pode pedir isso a Deus), que os outros presos façam com eles justiça com as próprias mãos. Afinal foi um crime tão bárbaro que feriu a "lei" da bandidagem. Espero que eles não saiam vivos da cadeia! É a única forma deles pagarem, já que não há justiça no Brasil.
Trabalhei por mais de 20 anos em uma empresa. A empresa foi vendida em um leilão e milhares de pessoas foram para a rua, sem indenização, sem receber verbas recisórias nem salários atrasados. Foram demitidos inclusive os estáveis, aqueles que estavam a menos de 3 anos da aposentadoria. Também foram para a rua grávidas, afastados por problemas de saúde, enfim, rasgaram as leis trabalhistas e todos agem como se não tivese nada de anormal.
Quando digo todos eu falo da justiça, do governo "voltado para o povo", imprensa, todos mesmos!
Às vezes eu penso que estou num episódio do Além da Imaginação...