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Hoje, lendo um post no blog da Selma sobre novelas me veio uma saudade da minha primeira companheira de novelas, talvez a responsável pela minha tendência "novelística": minha bisavó Ritinha.
Tive o privilégio de conviver com ela até os 21 anos, quando ela se foi, aos 93 anos ainda lúcida e independente. Era uma mulher pequenina (1 metro e meio), mas dotada de uma energia sem igual.
Eu costumava assistir novelas com ela, as duas sentadas numa poltrona grande que tínhamos na frente da televisão. Ela sempre me pedia: "quando começar (a novela) você me chama." Ou então era ela quem me chamava.
Antigamente os personagens de novela eram totalmente maniqueistas. Os vilões eram tão malvados, mas tão malvados que chegava a dar raiva. Os bonzinhos eram tão bonzinhos que...dava raiva também!
As roupas dos vilões eram sempre de cor escura, a maquiagem tão carregada quanto a da madrasta da Branca de Neve. Os bonzinhos vestiam roupas de cores claras e maquiagem suave. Naqueles tempos de TV em preto e branco isso ficava mais evidente ainda.
Minha bisavó sempre ficava indignada com as maldades dos vilões. Quando aparecia um malvado, ela falava: "Ó! Ó só!" (Olha! Olha só! em dialeto mineirês). Não foram poucas as vezes em que ela se levantava da poltrona, chegava mais perto da TV e resmungava: "Bandido! Você vai pagar!"
Eu achava muita graça nessa passionalidade. Confesso que melhor do que os capítulos das novelas era assistir a ela falando impropérios para uma tela de televisão.
Hoje a maioria das novelas não tem essa dicotomia bem versus mal. Os personagens malvados tem seu lado "humano", mas eu acho que os bonzinhos continuam irritantemente bonzinhos demais.
Estou assistindo a novela das 8 Paraiso Tropical, do Gilberto Braga. Eu gosto das novelas dele, diferentemente das novelas do Mané Carlos que são todas iguais e já deram no saco.
Eu fico imaginando Dona Ritinha assistindo uma novela onde tem um casal de gays, uma prostituta de calçadão, onde as maldades são muito mais elaboradas do que antigamente.
Mas a minha impressão é que em relação à prostituta e aos gays, ela passaria batida e talvez até tivesse simpatia. Mas quanto às maldades...continuaria xingando a telinha e comentando: "Ó! Ó só!"
Espero que no céu tenha uma tela de TV gigante, onde ela possa se distrair assistindo as novelas que ainda estão por vir...
Desde que Cobras e Lagartos terminou, estou órfã de novelas. A novela das 8 (que na verdade é das 9), eu me recuso a assistir. Não aguento mais o estilo Mané Carlos de escrever. As primeiras novelas dele até que eram legais, mas agora todas parecem uma só. Sempre tem Helena, Leblon, José Mayer como Fudêncio, teminhas polêmicos, às vezes vários ao mesmo tempo, empregadas dedicadíssimas que estão há anos com a família e por aí vai.
Soube que rolou a primeira transa de dois adolescentes. Ao som de música clássica, uma coisa bem lenta, quase coreografada. Ah, qualéééé????? Imagina se dois adolescentes, com os hormônios a flor da pele, nervosos por ser a primeira vez, vão transar assim como se fosse nado sincronizado! No mínimo iam ficar nervosos, afoitos e talvez até rolasse uma ejaculação precoce por parte do moçoilo. Ou então a moçoila continuaria sem saber o que é orgasmo, por causa de certa dorzinha chata que acomete 95% das virgens. Será que no tempo do Maneco era assim?
Lembro-me de algumas novelas que marcaram época na minha vida, e na vida de muita gente. Dancing Days foi uma. As meias de lurex, as "discotéquis"... a gente se produzindo para dar show na pista de dança igual a Julia Matos fez na novela, inventando mil coreografias. Ô tempo bom!
Gostei muito de Vale Tudo, também do Gilberto Braga. Quem não se lembra da Maria de Fatima e da Odete Roitman? E quem se lembra da chatinha-boazinha Raquel, personagem da igualmente chatinha-boazinha Regina Duarte? Numa época em que o politicamente correto ainda não imperava, a novela terminou com o personagem do Reginaldo Farias, que aprontou todas durante a trama, fugindo do Brasil em seu avião, dando uma banana em pleno ar, e indo gastar seus milhões de dólares "no estrangeiro".
Infelizmente o Vale a pena Ver de Novo só reprisa novelinhas chatas e muito recentes. De cada 10 novelas reprisadas só uma presta, como foi o caso de A Viagem. Eu acho que é por causa do público alvo, do qual pelo visto eu não faço parte. Esse público, digamos, é bem menos exigente. Igual ao público dos programas de Domingo. No popular, parodiando o Chaves, é um público composto de "gentalha, gentalha, gentalha!"