além dos 30

Você está rondando os 40? Sua juventude foi nos anos 80? Casou? Separou? Casou de novo? Paga ou recebe pensão? Seus heróis morreram de overdose? Encontra-se na twilight zone (juventude passando e velhice chegando)?

além dos 30

Você está rondando os 40? Sua juventude foi nos anos 80? Casou? Separou? Casou de novo? Paga ou recebe pensão? Seus heróis morreram de overdose? Encontra-se na twilight zone (juventude passando e velhice chegando)?
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Terra Blog

Categoria: pra galera que está rondando os 40

12.06.07

Perguntas que não calam

 Atendendo a pedidos da minha amiga Marcia, e como este blog que vos fala é dedicado à galera que já passou (há muito tempo) dos 30, resolvi fazer uma extensa pesquisa sobre perguntas que sempre fazíamos sobre determinados personagens de seriados, novelas, etc. do "nosso tempo".

Pergunta número 1: Por que a Feiticeira, com seu narizinho mágico insistia em esfalfar-se no serviço doméstico se podia fazer tudo num torcer de nariz?

Conclusão: Sempre achei Samantha uma bruxa excêntrica, quando não lançava mão dos seus poderes mágicos e preferia fazer tudo no "manual". Quer dizer, eu a achava excêntrica quando era criança. Depois que cresci e passei a executar trabalhos domésticos sem qualquer ajuda nasal, eu concluí que ela era louca de dar nó!

Talvez ela estivesse a procura de novas emoções, como aquele milionário que se fantasia de pobre e vai viver como proletário só para "ver como é".

Mas, vamos combinar que passar toda uma vida fantasiado de pobre, tendo a sua disposição milhões e milhões é coisa de maluco!

Porém, analisando o seriado com um olhar mais crítico, podemos perceber que frequentemente, aliás bem frequentemente, ela usava o narizinho sim!

Como no episódio em que ela estava no meio de uma faxina das brabas e sua amiga Louise (mulher daquele mala do Larry Tate) telefona dizendo que está chegando. Ela imediatamente aciona o narizinho e a faxina acaba num segundo. Quando Louise chega 2 minutos depois, a casa está impecável e cheirosa. E ela ia deixar a outra surpreende-la descabelada, suada, com um lenço na cabeça e a casa de pernas pro ar? Ela era maluca mas não era doida!

Em outro episódio, ela estava na cozinha e deixa cair sua melhor panela, que quebra. Como estava com pressa, faz a panela se recompor em um segundo.

Fora as roupas passadas que subiam sozinhas as escadas, ou as mamadeiras que flutuavam da cozinha até o quarto da filha no meio da noite.

Concluindo: ela não era tão idiota assim. Principalmente quando o conteiner sem rodinhas do marido não estava por perto.

Pergunta número 2: Por que a Jeannie não trocava o major Nelson pelo major Rilley, que dava muito mais valor às coisas que ela podia oferecer?

Conclusão: Afora o fato dela ser um gênio de lâmpada, isto é, pertencia a quem tivesse a lâmpada e não podia trocar de amo a seu bel-prazer, o major Rilley tinha mentalidade de um garoto de doze anos!

Convenhamos, ele era simpático, engraçado, divertido, mas um completo retardado! Já pensou ser o gênio de um ser totalmente desprovido de maturidade e ser obrigada a obedecer qualquer sandice que ele ordenasse? Pelo menos o major Nelson era um banana no qual ela podia mandar e desmandar.

Pergunta número 3: Por que todo mundo acreditava que a Regina Duarte com uma peruca loura não era a Regina Duarte e sim a irmã dela, na novela Selva de Pedra?

Conclusão: Na verdade ninguém acreditava, mas fingia que sim, pois senão a novela acabaria logo e o emprego de muitos atores acabaria junto... Então eles fingiam que acreditavam e a gente fingia que acreditava neles.

Mais perguntas que não calam em uma próxima edição desse mesmo bat-blog!

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 15:29:22

10.02.07

Invejas infantis

Fico me perguntando do que as crianças de hoje tem inveja, e se as invejas são tão masoquistas como as do meu tempo. Tenho vontade de fazer um questionário e sair em campo para conferir se algumas invejas mudaram ou se continuam as mesmas. Por exemplo:

Inveja de aparelho dentário. Eu morria de inveja de quem usava! Tanto o móvel, que dava a impressão que a gente estava com um ovo na boca, quanto o fixo, todo prateado... que beleza! Eu pegava papel alumínio e fazia um "aparelho" para mim, mas claro que não era a mesma coisa. Quando eu via alguém que, além do aparelho, usava aquele "freio" externo preso atrás da cabeça (nem sei se ainda existe), era a glória! Como eu queria usar um daqueles, nem que fosse só por um dia!

Inveja de gesso. Nunca quebrei nem um ossinho durante a minha infância, e morria de inveja dos engessados. Principalmente a botinha de gesso, que eu achava o máximo, com vários autógrafos e desenhos coloridos. Não sei bem se era inveja do gesso ou da popularidade medida pelo número de assinaturas no mesmo. Quanto mais assinados, mais inveja eu tinha.

Inveja de óculos. Não era tanta como a do gesso e a do aparelho, mas eu tinha. Um dia uma colega minha apareceu com óculos e um tampão em um dos olhos. Usou aquilo por vários dias, para "forçar" a outra vista a se desenvolver. Ai que show! Meus pedidos foram atendidos aos 15 anos quando passei a usar óculos para astigmatismo. Que alegria entrar na ótica e escolher o modelo da armação!

Inveja de "ciganos". Morei toda minha infância e adolescência no mesmo lugar, frequentando o mesmo colégio, cercada das mesmas pessoas. Tinha muita inveja de crianças que, por motivo de trabalho do pai, viviam se mudando de cidade ou de estado. Que delícia devia ser aquela vida nômade! Todo ano um colégio novo, casa nova, novos  amigos... E mudar de país então? Devia ser melhor ainda! Novos costumes, novo idioma... Nada daquela rotina monótona e previsível que era a minha vida...

Fora as invejas masoquistas, eu tinha outras mais compreensíveis. Eu tinha inveja de quem morava em casa. Como toda criança de apartamento, queria muito morar numa casa com quintal, jardim, ter cachorros correndo... Sempre que eu ia para Belo Horizonte nas férias eu ficava na casa da minha tia Carmen, numa rua residencial, onde só tinham casas. A dela era a mais maravilhosa de todas, a casa dos meus sonhos. Tinha quintal, dois andares, pátio, varanda. Quando ela vendeu a casa, anos depois, porque meus primos casaram e a casa ficou enorme só para ela, sem contar a falta de segurança que tomou conta das cidades, eu fiquei muito triste, me senti "traída".

Hoje, na maturidade, eu agradeço a Deus por meus pedidos não terem sido atendidos! Eu sei que ficar engessado não tem nada de glorioso, aliás, é chato e doloroso. Usar aparelho é um pé no saco, principalmente para comer ou beijar... E vida de cigano não é nenhuma maravilha. Pelo contrário, você vive perdendo seu referencial, vive sendo obrigado a dizer adeus a seus amigos, ao colégio que você gosta. É um eterno recomeçar.

Hoje eu moro em uma casa, com dois andares, quintal, jardim, cachorras soltas... Tudo o que eu queria, mas tudo tem seu preço. Aqui não tem porteiro para avisar que alguém está subindo, e toda vez que a gente passa o fim de semana fora fica aquela pulga atrás da orelha... será que está tudo bem?

Quanto a inveja de vida nômade, eu também solucionei viajando pelo mundo afora por 20 anos, muitas vezes sem o menor saco de deixar o conforto do meu lar e ir para Paris, por exemplo. Já que eu não tive vida de cigano, pelo menos profissão de cigano eu tinha que ter...

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 15:16:06

27.01.07

A Feiticeira

 Mesmo quem tem menos de 30, certamente conhece esse antigo seriado de televisão. Ele já deixou de ser antigo, já nem é mais cult. É atemporal. Uma coisa meio inconsciente coletivo (Jung haveria de concordar).

Eu adorava assistir e adoro até hoje. Tenho as 2 primeiras temporadas em DVD.

Sem contar as feitiçarias, o que eu mais gostava era a casa da família Stephens. Era uma casa bem american way of life, mas era tão bonita por fora e tão aconchegante por dentro!

Imagina, nos anos 60 e 70, uma casa com cozinha planejada, aquele forno embutido e com timer... Para nós, tupiniquins, era um sonho!

Endora, a mãe da Samantha, era um charme! Típica sogra bruxa, como tantas por aí, tinha uma classe e elegância que o genro,vamos combinar, estava longe de alcançar.

A clássica vizinha bisbilhoteira também era muito engraçada. Eu só achava estranho porque a vizinha aprontava, invadia, bisbilhotava e o casal continuava educado e simpático com ela. Se fosse eu... diria umas poucas e boas e botava pra correr. Mas correr ela corria mesmo, quando via alguma feitiçaria e ia chamar o marido para testemunhar, e é claro, quando este chegava não via nada.

Quando eu era criança, meu sonho era ter um narizinho mágico que arrumava a casa toda num segundo, fazia um jantar maravilhoso aparecer de repente, ou me levava de um lugar para o outro sem precisar de condução.

Porém, mais do que tudo, eu queria uma casa igual àquela!

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 15:29:04

12.12.06

Twilight Zone

Quem gosta de ficção científica com certeza se lembra de Além da Imaginação (Twilight Zone). Os primeiros episódios eram em preto e branco (1959 a 1964). Algumas histórias eram meio bobinhas, mas outras eram ótimas! Eu me lembro de uma em que um homem se perde na estrada e vai parar em uma cidade estranha. Nessa cidade as pessoas tinham descoberto o antídoto contra a morte, mas era um segredo e o homem não podia retornar a sua casa e revelar a descoberta. No final dão um jeito dele ficar desmemoriado e poder voltar para casa. O must do episódio era um moderníssimo computador a válvula, que ocupava uma sala inteira e trabalhava com cartões perfurados. Ultima palavra em tecnologia da época.

A música de abertura é inconfundível, assim como o narrador, que era também o criador da série.

Na outra temporada, em 1985, os episódios eram coloridos e o criador (Rod Sterling) eu acho que já tinha morrido ou estava bem velho. Mas as histórias não ficaram a dever à primeira temporada. Teve uma de um menino, que tinha o poder de materializar todos os seus pensamentos. Por causa disso, sua família era obrigada a fazer tudo o que ele queria, sob pena de desaparecer, morrer ou ser transformado em algum objeto estranho. O final é surpreendente, mas não vou contar aqui para não estragar a surpresa de quem porventura vier a assistir.

Teve o filme também, com direção de Steven Spielberg. Muito bom! Especialmente o episódio em que os velhinhos de um asilo tinham a opção de voltarem a ser crianças. Por incrível que pareça, somente um optou por ser criança de novo.

Agora tenho um novo canal na Sky chamado TCM. Eles exibem episódios antigos de Além da Imaginação, para meu deleite. Aliás, acho que vai começar um agora.

Tchau! A gente se encontra....além da imaginação....

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 15:51:26

21.11.06

Crisis, what crisis?

 Eu passei minha infância e adolescência na época da ditadura militar. Hoje eu vejo que até isso teve seu lado bom, além do fato de que todo mundo sabia cantar o Hino Nacional inteiro.

Eu dou muito valor à liberdade de expressão. Só o fato de eu poder, livremente, escrever o que me dá na telha nesse blog para mim é uma "bênção" (ô glória...hehehehe...).

Na época dos militares tinha censura para tudo. De longa metragem a comercial de pasta de dente. Ás vezes, alguns programas de tv conseguiam driblar a censura e fazer críticas veladas ao regime. Para nós, brasileiros que enxergávamos além do próprio umbigo, eram momentos de puro deleite.

Essa introdução toda foi pra falar da crise da aviação brasileira e dos controladores de vôo. É crise mesmo, não se iludam! Enquanto o governo, na figura do presidente e do ministro Waldir Pires diz que "não está acontecendo nada" (no melhor estilo PT de governar), a imprensa noticia os quebra-quebras, os atrasos de horas e o descontentamento dos passageiros nos aeroportos.

Tenho lido por aí, nos fóruns de discussão, pessoas indignadas com a mídia pela cobertura dada à crise. Dizem que são sensacionalistas, que querem "desestabilizar" o governo, como se a queda de um avião com 155 pessoas fosse proposital só pra prejudicar as eleições. Defendem inclusive uma "supervisão" na mídia, para "filtrar" qualquer notícia que venha a provocar um clima de instabilidade no país (eu já vi esse fillme...). E ainda falam que os controladores de vôo tem mais é que ficarem bem quietinhos e trabalhar sem reclamar. Afinal, tudo o que está acontecendo é culpa da "herança maldita" e das "zelite".

E o pior de tudo... o horror, o horror... é que essas pessoas são JOVENS!!!!! Não tem nenhum velho reaça com saudade dos militares. São todos neo-esquerda festiva!

Eu gostaria de ter uma máquina do tempo pra mandar essa galera de volta para os anos de 68, 69, 70... só pra eles verem o quanto dói uma saudade. Para eles darem valor à liberdade de expressão, e concluírem que é melhor pecar por excesso do que por falta. E que por fim, é muito melhor poder falar o que se quer, mesmo tendo que se ouvir o que não quer.

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 14:49:40