além dos 30

Você está rondando os 40? Sua juventude foi nos anos 80? Casou? Separou? Casou de novo? Paga ou recebe pensão? Seus heróis morreram de overdose? Encontra-se na twilight zone (juventude passando e velhice chegando)?

além dos 30

Você está rondando os 40? Sua juventude foi nos anos 80? Casou? Separou? Casou de novo? Paga ou recebe pensão? Seus heróis morreram de overdose? Encontra-se na twilight zone (juventude passando e velhice chegando)?
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Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2007

23.02.07

Acabou o carnaval!

Que beleza! Skindô, skindô! Chega de samba enredo, de modelo-atriz mostrando as próteses de silicone, de banda de Ipanema....

É.... não gosto mesmo, acho um saco! E o pior é que não tem para onde fugir! Tudo lotado, estradas, hotéis, praias... um calor senegalesco...

A opção é ficar em casa e alugar uns bons filmes, porque até a TV por assinatura não tem nada que preste. Parece combinado: "ah, eles não gostam de carnaval? então vão ficar sem ter o que ver."

Ou então fazer que nem na novela Páginas da Vida. A galera que não curte carnaval se reuniu na casa de alguém para assistir o que? O que??? Um vídeo sobre as mazelas da Africa. Aids e outras doenças, muitos pobres, muitos famintos... Pelamordedeus!!!

Não assisto a essa novela, mas por acaso na quarta feira de cinzas eu vi o capítulo. Todo mundo arrumando cadeiras e almofadas, comes e bebes, tudo para assistir ao vídeo deprê. Só não vi a pipoca, mas devia ter.

Eu acho que a mensagem subliminar do autor é: já que vocês não gostam de carnaval, aproveitem para parecer engajados, preocupados e politicamente corretos. Assistam a vídeos sobre as mazelas humanas, façam cara de "oooohhhh" enquanto estão aí sentadinhos comendo pipoca.

Nada mais falso, mais piegas... Nada mais cômodo do que ficar comovido com as misérias de além-mar e não se lembrar das misérias nossas.

Meu humor estava péssimo, por isso sumi uns dias. Acho que é o clima carnavalesco que me deixou assim. Carnaval sem grana e sem ter o que fazer é muuuuuito chato!

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 14:59:32

10.02.07

Invejas infantis

Fico me perguntando do que as crianças de hoje tem inveja, e se as invejas são tão masoquistas como as do meu tempo. Tenho vontade de fazer um questionário e sair em campo para conferir se algumas invejas mudaram ou se continuam as mesmas. Por exemplo:

Inveja de aparelho dentário. Eu morria de inveja de quem usava! Tanto o móvel, que dava a impressão que a gente estava com um ovo na boca, quanto o fixo, todo prateado... que beleza! Eu pegava papel alumínio e fazia um "aparelho" para mim, mas claro que não era a mesma coisa. Quando eu via alguém que, além do aparelho, usava aquele "freio" externo preso atrás da cabeça (nem sei se ainda existe), era a glória! Como eu queria usar um daqueles, nem que fosse só por um dia!

Inveja de gesso. Nunca quebrei nem um ossinho durante a minha infância, e morria de inveja dos engessados. Principalmente a botinha de gesso, que eu achava o máximo, com vários autógrafos e desenhos coloridos. Não sei bem se era inveja do gesso ou da popularidade medida pelo número de assinaturas no mesmo. Quanto mais assinados, mais inveja eu tinha.

Inveja de óculos. Não era tanta como a do gesso e a do aparelho, mas eu tinha. Um dia uma colega minha apareceu com óculos e um tampão em um dos olhos. Usou aquilo por vários dias, para "forçar" a outra vista a se desenvolver. Ai que show! Meus pedidos foram atendidos aos 15 anos quando passei a usar óculos para astigmatismo. Que alegria entrar na ótica e escolher o modelo da armação!

Inveja de "ciganos". Morei toda minha infância e adolescência no mesmo lugar, frequentando o mesmo colégio, cercada das mesmas pessoas. Tinha muita inveja de crianças que, por motivo de trabalho do pai, viviam se mudando de cidade ou de estado. Que delícia devia ser aquela vida nômade! Todo ano um colégio novo, casa nova, novos  amigos... E mudar de país então? Devia ser melhor ainda! Novos costumes, novo idioma... Nada daquela rotina monótona e previsível que era a minha vida...

Fora as invejas masoquistas, eu tinha outras mais compreensíveis. Eu tinha inveja de quem morava em casa. Como toda criança de apartamento, queria muito morar numa casa com quintal, jardim, ter cachorros correndo... Sempre que eu ia para Belo Horizonte nas férias eu ficava na casa da minha tia Carmen, numa rua residencial, onde só tinham casas. A dela era a mais maravilhosa de todas, a casa dos meus sonhos. Tinha quintal, dois andares, pátio, varanda. Quando ela vendeu a casa, anos depois, porque meus primos casaram e a casa ficou enorme só para ela, sem contar a falta de segurança que tomou conta das cidades, eu fiquei muito triste, me senti "traída".

Hoje, na maturidade, eu agradeço a Deus por meus pedidos não terem sido atendidos! Eu sei que ficar engessado não tem nada de glorioso, aliás, é chato e doloroso. Usar aparelho é um pé no saco, principalmente para comer ou beijar... E vida de cigano não é nenhuma maravilha. Pelo contrário, você vive perdendo seu referencial, vive sendo obrigado a dizer adeus a seus amigos, ao colégio que você gosta. É um eterno recomeçar.

Hoje eu moro em uma casa, com dois andares, quintal, jardim, cachorras soltas... Tudo o que eu queria, mas tudo tem seu preço. Aqui não tem porteiro para avisar que alguém está subindo, e toda vez que a gente passa o fim de semana fora fica aquela pulga atrás da orelha... será que está tudo bem?

Quanto a inveja de vida nômade, eu também solucionei viajando pelo mundo afora por 20 anos, muitas vezes sem o menor saco de deixar o conforto do meu lar e ir para Paris, por exemplo. Já que eu não tive vida de cigano, pelo menos profissão de cigano eu tinha que ter...

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 15:16:06

06.02.07

Pay day

Hoje fui sacar a merreca que eu recebo em um banco para depositar em outro.

Esclarecendo: vida de baixa renda é assim. Vive despindo um santo para vestir outro. Fazer o que?

Saí de casa às 7 da manhã para pegar os bancos vazios. Moro em uma cidade pequena que cresceu em número de habitantes, mas não em agências bancárias. Ir a banco aqui é um exercício de paciência para monges tibetanos.  Como paciência não é uma das minhas virtudes, resolvi madrugar.

Fui no primeiro banco, beleza, quase ninguém no caixa eletrônico. Saquei a merreca, fui para o segundo banco, mais concorrido mesmo àquela hora tão matinal.

Estava eu fazendo cálculos sobre o que era para pagar e quanto era para depositar quando escuto uma voz no meu cangote:

- Bom dia. A senhora podia "tirar" meu pagamento pra mim?

Era um senhor bem simplório, mas ladrão não vem com etiqueta na testa.

Respondi, na maior educação: - Olha, eu acho melhor o senhor esperar o banco abrir e pedir ajuda a um funcionário.

Ele: - &#*!&$@! Mas assim não adianta... e outras coisas ininteligíveis.

Eu, já ficando puta: - Dá para o senhor esperar eu acabar o que eu estou fazendo? (ele estava quase colado em mim)

Ele: - Mas depois a sra. me ajuda?

Eu: - Não!

Ele saiu resmungando, e que eu saiba não pediu ajuda a mais ninguém que estava nos caixas eletrônicos. Perdi a concentração, acabei depositando o que não era pra depositar, e agora vou pagar CPMF para sacar de novo. Odeio essa CPMF!

Será que é nova modalidade de assalto, ou o véio é que era muito sem noção?

Eu, hein? Assaltar baixa renda? Que coisa mais pobre! Deus castiga!

  • criado por  lucy in the sky criado por lucy in the sky
  • Postado em 16:29:31